ENERGIA
Partindo da premissa de que a energia é um meio que o homem usa para substituir ou aumentar a sua força, sempre que se busca uma forma para que ela seja gerada, visa-se primeiramente tirar proveito dela para reduzir um esforço e em segundo lugar por um custo o mais baixo possível.
Só então se pensa em fatores "secundários" como segurança e poluição.O mundo sempre foi assim: o trem a vapor trouxe incêndios nas matas, o uso inicial do gas trouxe explosões e asfixias, o automóvel trouxe maiores poluições químicas e sonoras que os atuais, energia nuclear contaminou e irradiou muita gente, e assim por diante.
Porém à medida que o homem encontra novas formas de energia para satisfazer o seu progresso, o uso destas formas vai se saturando inexoravelmente por uma demanda sempre maior que a oferta. A humanidade se pergunta: "Que novas formas de energia precisam ser inventadas para acompanhar essa demanda? Os fins justificam os meios? Qualquer forma de energia serve para resolver o problema? E se as formas tradicionais "seguras" não forem suficientes para acompanhar essa corrida?
Vamos deixar estas perguntas no ar e vamos considerar o objetivo deste site de informação sobre energia para depois formarmos o nosso ponto de vista. Mas não se desliguem delas, porque no final voltaremos às perguntas.
Apenas como um lembrete, vamos repassar quais as principais formas de energia usadas no planeta até este final de século.
Formas de geração de energia elétrica.
- Hidráulica - desde muitos anos usada em fazendas para mover moinhos, monjolos, as primeiras indústrias madeireiras, etc. Posteriormente, para mover máquinas geradoras de energia elétrica.
- Pneumática - para acionar máquinas-ferramenta, sistemas de controle.
- Mecânica - desde o início do século para acionar serrarias e posteriormente veículos auto-motores.
- Elétrica - é a forma nobre de energia, utilizando-se de todas as outras para sua geração, cada vez mais aperfeiçoada e mais utilizada. Esta só tem um problema: não se encontra pronta na natureza para ser recolhida e aproveitada, a não ser através das descargas elétricas na atmosfera, forma de aproveitamento até hoje não conseguida, embora tentada com sérios desastres.
Como energia mais nobre, vamos considerar apenas esta forma para chegar em nosso objetivo.
Formas convencionais de energia:Formas de energia em desenvolvimento:
- Usinas Hidroelétricas
- Usinas termo-elétricas a gas
- Usinas termo-elétricas a lenha
- Usinas termo-elétricas a carvão
- Usinas a óleo
- Usinas nucleo-elétricas (até há 20 anos estas não eram consideradas muito convencionais, mas com o desenvolvimento das técnicas de segurança e com a competição em preço da energia elétrica posta na rede, passaram a ser assim consideradas)
ENERGIA NUCLEAR
- Energia elétrica de geração eólica (gerada pelos ventos)
- Energia elétrica solar (diretamente gerada pelo sol)
- Energia mecânica gerada por óleos vegetais
O núcleo de um átomo possui uma massa de partículas atômicas juntas e seguras por uma força de coesão que as mantém juntas até que uma partícula externa se choque com ele e quebre esta força de coesão (às vezes o próprio átomo se quebra espontaneamente sem a intervenção de partícula externa).
A energia nuclear é baseada nos minérios encontrados na natureza denominados "nucleares", isto é, aqueles cujos átomos possuem um núcleo tão pesado que são passíveis de sofrerem uma quebra em sua estrutura (diz-se uma fissão) liberando grande quantidade de energia térmica.
Esta energia térmica é aproveitada para gerar vapor em alta pressão e superaquecido o suficiente para acionar uma turbina a vapor acoplada a um gerador de energia elétrica. Daí para adiante, a gente sabe o que acontece.
Portanto, uma usina nuclear nada mais é que uma usina termo-elétrica cujo motor primário funciona com uma reação nuclear.
Dentre os minérios encontrados na natureza com núcleo pesado o suficiente para ser fissionado, o mais importante é o minério contendo Uranio em suas várias formas físicas, isto é, com seus núcleos apresentando massas atômicas com diferentes pesos. O peso de um núcleo é medido em "unidades de massa atômica" (u.m.a.), sendo que cada unidade corresponde à massa de apenas uma partícula atômica componente deste núcleo. Assim, o minério de Uranio encontrado na natureza contém átomos de Uranio com diversas massas atômicas, como o U235 com 235 u.m.a. em seu núcleo, U236 com 236 u.m.a, U237, U238, etc., sendo este último o de maior abundância no minério natural de Uranio.
Destes, o U235 é o Uranio que se fissiona com mais facilidade e portanto o Uranio utilizado como combustível para reatores nucleares.Acontece que este U235 ocorre na natureza apenas na proporção de 0,7% do total de Uranio no minério, tornando este minério impossível de ser transformado em combustível parra reator. O que se faz é submeter o Uranio natural extraído do minério a um processo de separação física até se conseguir um "enriquecimento" da massa de Uranio em no mínimo 20% de U235 para então ser transformado em combustível nuclear.
Entretanto, com o desenvolvimento das técnicas de energia nuclear, este combustível feito com base no U235 não é o melhor, pois deixa muito resíduo radioativo e tem sido considerado um "combustível sujo", uma vez que deixa, após sua fissão, um conjunto de materiais radioativos inúteis que constituem o "lixo atômico".
Assim, a ciência lançou mão de um artifício que "engana" a natureza. O Uranio é o elemento mais pesado encontrado hoje em dia na natureza (há milhões de anos havia elementos mais pesados que o Uranio, mas não havia o homem para aproveitá-los). Então, os cientistas chegaram a um processo físico de bombardeio de átomos de U238, transmutando-os em átomos de Plutonio (Pu) 238, isto é, embora com a mesma massa atômica do U238, porém, com número de partículas carregadas eletricamente em seu núcleo maior que os átomos de Uranio. Isto significa que o átomo de Uranio assim transmutado não é mais Uranio, mas um outro átomo mais carregado o qual não se encontra hoje em dia na natureza,denominado de Plutonio (Pu).
Este átomo de Plutonio pode ser fissionado de maneira mais eficiente que o seu pai Uranio e ainda pode ser transmutado em outro átomo denominado Torio (Th). Desta forma, um combustível preparado com átomos de Plutonio pode gerar a energia que se quer e ainda produzir átomos de Torio os quais também servem como combustível para outros tipos de reatores nucleares.
Os riscos
A reação nuclear que se passa no interior de um reator é uma reação dita "em cadeia" do mesmo tipo que numa bomba atômica, mas infinitamente mais lenta e controlada pela presença de um material que absorve as partículas geradas impedindo que esta cadeia se multiplique descontroladamente. O miolo de um reator nuclear é feito de maneira que se esta reação se desenvolver muito violentamente, o próprio dimensionamento do combustível e da carcaça interna do reator cria uma condição negativa para a continuidade desta reação e ela tende a se apagar. Além disso, a estrutura externa da carcaça do reator é feita com material altamente resistente a vasamentos.Entretanto, o que pensar sobre os acidentes que têm ocorrido como em Chernobill e recentemente no Japão? São acidentes, não o procedimento padrão de um reator.
Podemos comparar com outros acidentes que ocorrem como resultado de tecnologias de frente como os grandes aviões que caem, os acidentes de proporções ecológicas resultantes de vasamentos de petróleo nos mares, os descarrilhamentos de trens, os grandes desastres rodoviários com engavetamentos, e muitos outros .
Naturalmente que isto não é justificativa, pois o ideal é uma tecnologia sem riscos de acidentes.
Nós não andamos transportando 30 ou 40 litros de líquido altamente explosivo em nossos carros e não estamos satisfeitos com isso pensando no conforto que nos traz?Benefícios e riscos a parte, pagamos um preço pela tecnologia que nos proporciona mais esta fonte de energia: são os resíduos da queima do combustível nuclear os quais não encontram aplicação pelo menos em termos atuais. São toneladas de materiais radioativos ainda "quentes", e que têm que ser descartados fora do convívio das populações. Grandes depósitos são construídos para abrigar esse material em minas de sal há muito abandonadas, em profundezas no mar ou em fossas perfuradas.
Não há beneficiamento para esse material, embora haja uma perspectiva de ser aproveitado num futuro incerto como irradiador de alguns produtos perecíveis.
É um lixo atômico, mais um lixo que vem se somar aos outros produzidos pelo progresso nas atividades do homem, como lixo hospitalar, doméstico não reciclável, industrial, gas carbônico e outros poluentes do meu carro e do seu, etc.
A humanidade tem que dar ao planeta uma compensação pelo desenvolvimento tecnológico que estamos atingindo no século XXI, porque deste desenvolvimento eu não abro mão e acredito que também você.Mas o "monstro" não é tão feio assim, haja vista que o Japão, único país que sofreu as consequências de uma bomba atômica, tem mais de 35% de sua energia elétrica gerada por reatores nucleares! Comparativamente, esta energia vem caindo de preço constantemente e é comparável às formas tidas como as mais baratas, como a hidroelétrica.
Além disso, o fator ecológico pende favorável a uma usina nuclear. Comparada com uma usina a carvão mineral, esta joga na atmosfera como gases descartados, mais material radioativo (que ocorre no minério de carvão) que uma usina nuclear.
Comparada com uma usina hidráulica, a área tomada por um reservatório de água necessário ao funcionamento desta, quebra mais a ecologia com afogamento de animais e destruição da flora local que a área tomada por uma usina nuclear.Para melhor entender a comparação entre essas técnicas, você poderá visitar o site desta homepage intitulado O NUCLEAR.
Agora você pode reconsiderar aquelas perguntas feitas acima e formar a sua opinião.